Festival leva arte interativa para as ruas de São Paulo
Em São Paulo, um experimento leva a arte dos museus para as ruas - no Festival Internacional de Linguagem Eletrônica
Pisar em cima, sentar, deitar sobre uma obra de arte... quem diria! Ela deixou de ser algo distante do público. Compreender acaba ficando em segundo plano. O público quer sentir.
No Masp, em plena Avenida Paulista, um cubo enorme não passa despercebido. Por fora, ele reflete o espaço da metrópole. Por dentro, é preciso entrar de pantufa, porque o cubo é inteiro espelhado, do chão até o teto. E mais: ele balança.
Chamam de arte pública interativa. No vidro da estação do metrô, tem um game e um mouse para quem quiser jogar. “Dá uma passadinha aqui pra pegar o metrô, dá uma jogadinha, já pega o metrô muito mais tranqüilo”, diz o designer Miguel de Castro.
Idéias incríveis e difíceis de executar aparecem no Festival Internacional de Linguagem Eletrônica. A curadora, Paula Perissinotto, explica: “A característica desse tipo de arte é a exigência que ela faz pro espectador de uma atitude, ela espera que o espectador aja, reaja, interaja”.
Tem até colete e apetrechos com eletrodos que analisam sistema nervoso e batimentos cardíacos. É uma obra de arte que descortina a nossa alma, porque ela mostra como a gente está realmente se sentindo. O vermelho não é bom sinal... “Você está extremamente ansiosa, com teu pensamento sem conseguir se concentrar, focar, e aí ele externaliza na roupa e no jogo também”, diz a artista plástica Rachel Zuanon.
“Tem área ligadà à engenharia, outra à com a medicina, o design, então todas as áreas acabam sendo unidas pro desenvolvimento desse trabalho”, comenta Geraldo Lima, também artista plástico.
Tem obras tão complexas que levam anos para ficar prontas! E o artista americano da liga dos robôs musicais urbanos diz que outra engenhoca, uma espécie de guitarra, só ficou concluída depois de 10 anos de trabalho.