Taxa média de juros caiu, mas não os juros do cheque especial
Enquanto no cheque especial os juros são de 165,1%, no crédito pessoal a taxa anual é de 53,4%. O empréstimo consignado é ainda menor: 27,1%.
Números divulgados nesta terça pelo Banco Central mostraram que a taxa média de juros cobrados dos brasileiros caiu no mês passado, mas não os do cheque especial. O repórter José Roberto Burnier mostra por quê.
O susto veio pelo extrato. Gilmar decidiu usar o crédito do cheque especial para cobrir um rombo no orçamento de R$ 600. Hoje, dois anos depois, a dívida com o banco está em R$ 5,5 mil. O alívio virou sofrimento.
“Não tomamos cuidado, acabou crescendo e sempre tinha uma dívida e acabou virando essa bola de neve que estou saindo hoje”, disse o professor Gilmar Oliveira Mendes.
Cada vez mais brasileiros estão recorrendo ao cheque especial. De janeiro a junho deste ano, a procura por esse tipo de crédito aumentou 8% em todo o país.
O problema é que quem entra no cheque especial paga juros altíssimos, que superaram os 8% ao mês. O que significa uma taxa de 165% ao ano. Mas por que taxas tão altas?
O banco alega que corre um alto risco com esse modelo de crédito. Ou seja, quando ele deposita um valor em dinheiro na conta do cliente e esse cliente pega emprestado, ele, o banco, não tem nenhuma garantia de que esse empréstimo será mesmo pago.
Por isso, ele segue uma das regras mais antigas do sistema financeiro: quanto maior o risco, maior a taxa cobrada para emprestar dinheiro.
Veja uma comparação do custo do cheque especial com o de outros tipos de crédito. Enquanto no cheque especial os juros são de 165,1%, no crédito pessoal a taxa anual é de 53,4%. O empréstimo consignado é ainda menor: 27,1%.
“As pessoas não entenderam que crédito é uma maravilha na hora em que você tem o crédito e é um pesadelo quando você tem que pagar”, resumiu o economista Simão Davi Silber.
Por exemplo: quem deve R$ 5 mil no cheque especial gasta por mês R$ 423 só para pagar juros. Se o cliente pegar os mesmos R$ 5 mil num empréstimo pessoal de 12 meses, a uma taxa de 3,63% ao mês, ele vai gastar com juros R$ 222,50 por mês.
Quem fez a conta foi o educador financeiro Edward Cláudio Júnior, acostumado a tirar endividados do sufoco. “Primeiro, a pessoa precisa fazer um diagnóstico de todas as suas despesas e sua receita. Verificar quanto ela tem disponibilidade de separar mensalmente para poder pagar aquela dívida que ela contraiu”.