Supostos erros em exames para detectar câncer de mama serão investigados nos EUA
A notícia foi divulgada pelo jornal The New York Times, que relatou casos de mulheres que teriam sido operadas sem necessidade. Segundo o jornal, 17% de todos os casos identificados podem estar errados.
O governo dos Estados Unidos decidiu nesta terça criar uma comissão para investigar a suspeita de erros em resultados de exames para detectar o primeiro estágio do câncer de mama.
A notícia foi divulgada pelo jornal The New York Times, que relatou casos de mulheres que teriam sido operadas sem necessidade. De Nova York, o correspondente Rodrigo Bocardi traz os detalhes.
Entre todos os tipos de câncer de mama no mundo todo, o mais comum é o carcinoma ductal. Ele ataca as células do canal por onde passa o leite materno e pode se espalhar pelo seio.
O primeiro estágio desse tipo de câncer é o carcinoma ductal in situ, que pode ser detectado por meio de biópsia. Uma agulha que retira para análise amostra das células da mama.
Segundo uma reportagem publicada nesta terça no jornal New York Times, a interpretação dos resultados desses exames de biópsia não tem sido 100% segura nos Estados Unidos.
O governo americano resolveu fazer um levantamento dos diagnósticos depois de receber a informação, divulgada pelo jornal, de que 17% de todos os casos identificados de carcinoma ductal in situ podem estar errados. Ou seja, a doença não existiria.
Uma associação americana formada por pessoas que venceram o câncer de mama afirma que 90 mil mulheres receberam diagnósticos errados de carcinoma ductal no país. Muitas passaram por tratamentos incorretos por causa dessa avaliação errada dos resultados. Algumas fizeram cirurgia sem precisar.
Os médicos dizem que os supostos erros acontecem por causa da tentativa de se obter um diagnóstico cada vez mais cedo, o que, segundo os especialistas, aumenta as chances de cura.
Mas, de acordo com a reportagem, o material analisado é, às vezes, do tamanho de um grão de areia, o que torna esse diagnóstico muito difícil.
Além disso, a associação americana de patologistas reconhece que é preciso melhorar a qualificação dos profissionais para se ter uma interpretação mais precisa dos resultados dos exames.