Assassinato de advogado no Centro de Florianópolis pode ter razões místicas
Carro do suspeito teria sido filmado na sexta-feira na fronteira entre Brasil e Paraguai
Além de razões profissionais, razões místicas podem ter impulsionado o empresário de 35 anos de Florianópolis a matar a tiros o advogado Paulo Cesar Martins, 47 anos. O principal suspeito continua desaparecido. Há chances de ele estar escondido no Paraguai.
O Diário Catarinense apurou que, antes de matar o advogado com três tiros, na quinta-feira da semana passada, ele procurou dois líderes superiores de uma sociedade fraternal. Pretendia matá-los porque supostamente eles não teriam conseguido suprir a sua necessidade espiritual. O suspeito tem origem religiosa forte, apresentava problemas com o alcoolismo e tentava com a mudança superar as dificuldades.
Sem encontrar os dois alvos, decidiu então ir ao escritório do advogado e tirar a sua vida — Paulo Cesar era padrinho dele na sociedade, que não é considerada religião. Ele também era cliente do advogado e estava descontente com o desempenho do profissional numa ação judicial de trânsito. A Justiça o condenou a cumprir um ano e dois meses de prestação de serviços à comunidade em 2009 e a pagar dois salários mínimos de multa.
O Diário Catarinense apurou também que um carro do atirador foi filmado na sexta-feira cruzando a Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai. O delegado da Delegacia de Homicídios, Ênio de Oliveira Matos, responsável pela investigação, não quis confirmar as informações obtidas pela reportagem.
Na manhã desta terça-feira, o delegado e investigadores retornaram ao escritório do advogado, no Centro, em busca de mais informações que pudessem ajudar no caso.
Embora esteja sumido, o suspeito, que é de classe média alta e mora no Bairro Coqueiros, na região continental de Florianópolis, ainda não pode ser considerado foragido, pois não há prisão decretada. O principal indício contra ele é a filmagem das câmeras de segurança do edifício em que o advogado trabalhava no horário do assassinato.
O advogado Celso Bedin, síndico do prédio e designado pela Ordem dos Advogados do Brasil em SC (OAB/SC) para acompanhar o caso, diz estar satisfeito com o trabalho da polícia até o momento e confiar no esclarecimento do crime nos próximos dias.