Meteorologistas discutem efeitos do aquecimento global no sertão
Chuvas intensas e inconstantes, temperaturas elevadas. O que vem acontecendo no Nordeste é reflexo da mudança climática do planeta, mas, segundo os pesquisadores, gera mais preocupação.
Os efeitos do aquecimento global no sertão nordestino foram tratados, nesta segunda, na reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Natal. Os pesquisadores estão preocupados com os fenômenos climáticos extremos que têm se repetido na região.
Em Caicó, no sertão do Rio Grande do Norte, temperatura muito acima da média para esta época do ano.
"Quando paro na sombra estou com os braços queimados. Eu sinto os braços queimar", conta o mototaxista Antônio Bertoldo.
Calor extremo, temporais. Foi assim em Alagoas e Pernambuco, no início de junho. Em três dias, choveu na região o volume esperado para duas semanas. Foi assim também no Piauí no ano passado.
Chuvas intensas e inconstantes, temperaturas elevadas. O que vem acontecendo no Nordeste é reflexo da mudança climática do planeta, mas, segundo os pesquisadores, gera mais preocupação.
Para o meteorologista Paulo Nobre, do Centro de Previsão de Tempo e Estudo Climático do Inpe, aspectos econômicos e culturais da região estão intensificando o problema. Em algumas localidades, a temperatura média subiu de 31ºC para 35ºC.
"Araripina é uma região de produção de gesso, onde a caatinga foi toda cortada. Então a relação temperatura e radiação solar muda. Lá também é uma região onde nós observamos quatro graus de aumento em praticamente 40 anos".
O cientista destacou ainda a necessidade de que providências imediatas sejam tomadas para amenizar as consequências da seca prolongada e das pancadas repentinas de chuva.
"Em vez da pessoa receber o seguro agrícola pelo milho que ela não colheu, ela receber um financiamento para o replantio de árvores em matas ciliares", finalizou Paulo Nobre.